O que Chanel tem a ver com Picasso?

29 07 2011

Uma boa notícia para os “artistas da moda”: no Brasil, ela está começando a ser vista como arte. É o que diz a Carta do Editor da Edição de número 186 da revista BRAVO!, a mais renomada no que diz respeito a arte e cultura em nosso país. Seguem as palavras de João Gabriel de Lima, diretor de redação da revista.

De agora em diante, BRAVO! vai abrir cada vez mais epaço para a moda como expressão artística.

“Na pintura, houve o cubismo, os futurismo, o primitivismo. Na moda, houve Poiret.” A frase é do historiador da arte Kenneth Silver, professor da Universidade de Nova York, referindo-se ao papa da alta-costura francesa, Paul Poiret (1879-1944). Nos últimos anos, estudar a história da moda em paralelo com a história da arte vem se tornando comum dentro da academia. Faz todo o sentido. Da mesma forma que as roupas de Poiret traduzem a fantasia desenfreada das vanguardas do início do século 20, a moda funcional de Gabrielle “Coco” Chanel (1883-1957) se adapta perfeitamente à revolução ocorrida na Era do Jazz (não por acaso, el foi a estilista favorita da cantora Josephine Baker). E, se os vestidos curvilínios de Christian Dior (1905-1957) têm tudo a ver com a opulência e  elegância do pós-guerra, nenhum estilista traduziu melhor a cultura pop dos anos 60 do que Yves Saint-Laurent (1936-2008), com seu uso revolucionário do couro.

O olhar que BRAVO! pretende lançar sobre o mundo da moda na reportagem especial que começa na página 51, é exatamente esse. A editora Gisele Kato e os repórteres Barbara Heckler e Jeferson Peres foram à rua não em busca do glamour dos desfiles ou dos números de um mercado cada vez mais pujante. Em sua radiografia da moda brasileira h0je, os jornalistas de BRAVO! buscaram aqueles que, com ousadia e criatividade, vêm determinando as novas tendências estéticas da área. Ou seja: na moda – assim como na música, na literatura, no cinema, nas artes visuais, no teatro e na dança -, BRAVO! se interessa pelos artistas e pelos novos caminhos que eles apontam com suas criações. Não por acaso, a reportagem especial se chama Moda e Cultura.

Em um longo ensaio a respeito do assunto, a historiadora da arte Amy Fine Collins, que escreve sobre estilo e estilistas para a revista americana Vanity Fair, lembra que a moda se tornou uma “arte cênica” muito antes das roupas cubistas de Poiret. Foi o inglês Charles Frederick Worth (1825-1895) quem criou os desfiles de moda como os conhecemos hoje (de olho no dinheiro, ele não escolhia as modelos pela beleza, mas pela semelhança física com suas clientes mais abastadas). Enquanto ficava rio, Worth acabou inventando uma forma fascinante de teatro – que, para além da reportagem especial, deve ocupar cada vez mais as edições regulares de BRAVO! daqui por diante.

Fonte: BRAVO! (edição 168 de agosto de 2011)





SPFW – As jóias da estação

7 02 2011

Com muito sendo comentado sobre a edição deste ano da São Paulo Fashion Week, fizemos um levantamento dos acessórios utilizados nos desfiles. Como não há um desfile exclusivo para as jóias, selecionamos as (poucas) marcas que se utilizaram da beleza dos acessórios para a composição dos looks da passarela, lançando a pergunta se o que a estação pede esteve nas passarelas da semana de moda paulistana.

Para começar, a marca Tufi Duek apresentou braceletes e coleiras com aspecto acrílico em tons neutros, conversando bem com o monocromatismo quase sempre presente nas peças.

Tufi Duek

Tufi Duek

O estilista Alexandre Herchcovitch fez uma excelente escolha ao complementar a composição de seus looks repletos de rendas e trensparências com o ar vintage das pérolas e das flores.

Alexandre Herchcovitch

Alexandre Herchcovitch

Os brincos utilizados pela modelos de Juliana Jabour são os meus preferidos da temporada. Compridos como  o verão, vêm com cor e elegância perfeitos para o inverno.

Juliana Jabour

Juliana Jabour

A Iódice trouxe braceletes e pulseiras de correntes em metal dourado, que combinaram perfeitamente com as peças de couro e deram ainda mais elegância aos looks.

Iódice

Iódice

Já a marca da estilista Fernanda Yamamoto complementou os looks cheios de leveza com pulseiras com pingentes de acrílico, uma boa pedida para o verão, mas que também deram um toque especial à coleção de inverno.

Fernanda Yamamoto

Fernanda Yamamoto

As grifes de um acessório só.

Particularmente, não sou a favor de utilizar um acessório em uma única modelo, por achar que isso desequaliobra a composição de looks e destoa do restante da apresentação. Nessa edição do SPFW, foram duas as marcas que apresentaram somente um acessório, a Colcci com um lindo colar de caveiras e a FH por Fause Haten, com um modelo comprido e elegante co contas metálicas.

Colcci

FH por Fause Haten

Para este post é o que temos. Fiz também uma seleção dos meus favoritos da estação que postarei em breve.





Bazar de natal!

10 12 2010

Quem não gosta de bazar? Ainda mais no natal… Então, estão todos convidados! E os que comprarem minhas bijuterias ainda podem levar caixinhas lindas para presente. Que tal?





Conflitos familiares no cinema

20 09 2010

[depois de muito tempo…]

Sempre gostei muito de filmes que tratam de conflitos familiares. De certa forma, a maioria dos filmes acaba mostrando um pouco do drama vivido pela família dos personagens, mas entre os que apresentam este como o tema principal, tenho meus preferidos. Gosto muito de Pequena Miss Sunshine (2006), Parente é Serpente (1992) e 12 é Demais (2003), entre tantos outros… Porém, dos últimos a que assisti (ou reassisti), separei três para indicar para vocês.

Acontece nas Melhores Famílias (2003)

Fillme repleto de atores da família Douglas, mais especificamente de três gerações, traz à tona problemas familiares comumente vividos não somente por famílias americanas. O pai que trabalha demais, a mãe psicóloga que não consegue dialogar com seus filhos, os avós já doentes e os filhos problemáticos constituem uma trama que parece se passar em questão de dias, apresentando um contexto bem atual e gostoso de acompanhar. Kirk Douglas representa o patriarca da família, Mitchell Gromberg, que não se dá muito bem com seu filho, Alex Gromberg, interpretado por Michael Douglas. A história se desenvolve nos apresentando além deste conflito principal entre pai e filho, a dificuldade da mãe em se comunicar com o filho mais jovem e o envolvimento do filho mais velho, interpretado por Cameron Douglas, com as drogas. Para não trazer aqui uma sinopse do filme, além de indicá-lo, chamo a atenção para a recente prisão de Cameron Douglas, extamente por ter se envolvido com drogas, fazendo-nos lembrar do clichê que diz que “a vida imita a arte”.

Feios, Sujos e Malvados (1976)

Confesso que ao começar a assistir a filmes italianos não guardei muito boas impressões. Para evitar críticas, não vou citar os títulos mal julgados por mim, mas para mim faltava um pouco de congruência entre as cenas, procupação com a estética e uso exagerado da sexualidade. Ainda assim, o filme de Ettore Scola chamou muito minha atenção. Tendo como foco uma família muito grande que vive em uma favela de Roma e que tenta a todo momento roubar o dinheiro recebido pelo pai (interpertado por Nino Manfredi) como pensão, a forma como a trama é conduzida, além da história, fez com que ele estivesse aqui como indicação. Durante todo o filme senti os atores muito à vontade, como se estivessem se divertindo realmente, o que me prendeu. Além disso, vale destacar a forma como a sociedade italiana é retratada: a falta de asseio, a despreocupação com o pudor ou com o bom comportamento e a relação entre a família faz com que a história de um drama seja contada de uma maneira muito engraçada e até surpreendente. Para terminar, destaque para a cena em que a família trama a morte do pai, enquanto sua esposa prepara uma carne que derruba um sangue tão artificial quanto os de pinturas infantis.

Deixe-me viver (2002)

Depois de ver sua mãe ser presa, uma adolescente acaba enfrentando diversas experiências familiares, tendo três mães adotivas nada normais e passando um tempo em um lar-escola para órfãos. O interessante é acompanhar o quanto a menina muda durante esse processo e o tamanho da culpa de sua mãe no desenvolvimento de um caráter agressivo e rancoroso por parte da garota. Mas, mais do que o drama retratado no filme, minha indicação se dá pelo fato de o filme apresentar um número enorme de trabalhos artísticos da mãe, da filha e do namorado da adolescente. O destaque vai para o trabalho final da garota, usando pinturas, colagens e outros materiais para retratar as famílias pelas quais passou e apresentando-os em malas, alusão óbvia à quantidade de vezes em que as fez e desfez durante todo o filme.

Por hoje é isso. Para a próxima semana tenho planos de falar um pouco dos anos 50 e talvez apresentar alguns trabalhos de estampas que tenho feito utilizando este tema.





Elvis não morreu! [parte 2]

18 08 2010

Como prometido, a segunda parte do post de ontem.





Elvis não morreu! [parte 1]

17 08 2010

Ontem, 16 de agosto, completaram 33  anos da morte de Elvis Presley. Mas uma das frases mais ouvidas desde esta mesma data, no ano de 1977, é a que dá título ao post de hoje: Elvis não morreu. A frase utilizada para divulgar um filme de mesmo nome impressionou pessoas que acreditavam piamente que o cantor realmente não havia morrido e por muito tempo ele foi procurado mundo afora. Após ter sido considerado o Rei do Rock por sua popularidade e tambem ter ficado conhecido por Elvis, the Pelvis graças ao seu rebolado, o cantor e ator faleceu devido a um colapso fulminante associado a seus problemas cardíacos. Uma coisa é certa quanto à afirmação de que Elvis não havia morrido – sua carreira não se limitou à década de 50 ou até mesmo ao século 20. Após 33 anos sem o astro do rock, seus fãs prestaram homenagens de diferentes formas em diversas partes do mundo, incluindo uma vigília em frente à mansão Graceland, em Memphis.

Homenagem a Elvis Presley após 33 anos de sua morte.

Homenagem a Elvis Presley após 33 anos de sua morte. (Foto de Mark Humphrey)

Além dos fãs de sua música, há também os fãs de seu visual, considerado revolucionário para a época. Seu figurino performático, principalmente em sua fase Las Vegas, faz com que milhares de pessoas o copiem até hoje e é muito comum encontrarmos covers de Elvis em festas à fantasia e já inspiraram muitos etilistas no momento de desenvolvimento de coleções. É pensando nisso que a segunda parte do artigo, a ser publicada amanhã, contará com peças já lançadas que combinam com o estilo do cantor.

Até lá.





Aulas Magnas na Belas Artes

6 08 2010

Com o fim dos cursos de férias, o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo oferece agora aos seus alunos aulas magnas com profissionais de grande porte nas áreas de ensino da instituição. Contando, por exemplo, com Ana Paula Padrão e Constanza Pascolato, os alunos terão contato, através das palestras, com o cotidiano da profissão que escolheram contado através de profissionais experientes e influentes.
Confira a programação e os convidados.

Design de Moda
Constanza Pascolato em 17/08 às 9h no Espaço Multiuso do Núcleo de Design (Unidade 3).

Design Gráfico
Hugo Kovadloff em 20/08 às 20h30 no Espaço Multiuso do Núcleo de Design (Unidade 3).

Design de Produto
Levi Girardi em 18/08 às 9h no Espaço Multiuso do Núcleo de Design (Unidade 3).

Design de Interiores
Roberto Negrete em 19/08 às 9h no Espaço Multiuso do Núcleo de Design (Unidade 3).

Relações Públicas
Carlos Takahashi em 16/08 às 9h no Auditório Raphael Galvez Dazzani (Unidade 2).

Relações Internacionais
William Popp em 25/08 às 9h no Auditório Raphael Galvez Dazzani (Unidade 2).

Publicidade e Propaganda
RobertoDuailibi em 26/08 às 9h no Auditório Raphael Galvez Dazzani (Unidade 2).

Rádio e TV
Ana Paula Padrão em 08/09 às 9h no Auditório Raphael Galvez Dazzani (Unidade 2).

Arquitetura e Urbanismo
Sidonio Porto em 24/08 às 11h no Auditório Raphael Galvez Dazzani (Unidade 2).

Artes Visuais
Rodrigo Naves em 20/08 às 11h no Auditório Raphael Galvez Dazzani (Unidade 2).

O evento é gratuito e aberto ao público. Abaixo os endereços das unidades. Para maiores informações acesse o site da Belas Artes.

Espaço Multiuso Núcelo de Design (Unidade 3)
Rua José Antonio Coelho, 879 – Vila Mariana
Auditório Raphael Galvez Dazzani (Unidade 2)
Rua Dr. Álvaro Alvim, 90 – Vila Mariana








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